O plácido da luz teve a contra-indicação de me dissipar da certeza no fraseio. Assim, sento-me e espero na cadeira em deslocação, assimptótico ao dia.
Choro dissabores com o meu riso. Choro dissabores e enterneço-me deles. Fito a passadeira do Nunca e atravesso-me tinta, nela branca. É esta a minha fronteira. Procuro a mãe da posição nos vultos frontais. A comunicação são os motores que roncam de lado.
Oh, triste e terna biografia de um caderno em eterna iniciação. Este Inverno outona-me as folhas de uma alma entreaberta, ideias vazantes. Vem, vem com a tua projecção, lembrança artificial que me sugas dimensão. Abre as tuas páginas para que eu me imiscua linhas e ressurja, às travessias de cá para lá pautadas, contornados ócios, palavras quadriculadas. Não, mas não me vires com as tuas páginas de arrastada ventania. Não me vivas já; quero primeiro trautear-te de mim. Em calor ou insistência...
Adoração platónica à veia tectónica dos nossos solos, em físicas musicais. Fúria corpórea de uma alma sangrenta. Todos ouvem o conclusivo provérbio qualquer na tradição do oratório, embuídos de grandificação e da disciplina da grandificação, em seguranças. Arranca-me deste sofá, garra jovial, enquanto te esboço. Visão que me perfumas as narinas de alma.
A minha mensagem é uma de repulsa...
as notas da aragem... corrente de ar avulsa...
o trigo da criação, a metade que faltava
ao intelectual pão que o seu pôdre ostentava.
Vamos todos rimar e ecoar estéticas. Por um megafone qualquer, admirar estéticas. Podar arbustos no jardim citadino. Pode ser de aversão, pode ser de civilização, desde que à tesourada. É o mote dos teóricos da crítica.
Oh, mas eu enclausuro-os no exterior de um banco de jardim sem jardim. Sejamos, pois, os nossos bancos de jardim, e deitemo-nos neles com dores por todas as costas orgulhosas. Sejamos palco e bancada do espetáculo de emoções em saco de compras sem saco. Sejamos o incenso, pois então, o fumegar, o saboroso mastigar da matéria em combustão, e o aroma que fica.
Isto não é nada divertido... Nada divertido!... Ah, devo ir à neve, de encontro a avalanches, ah! Ah, as avalanches! Revolvam-me enquanto derreto. Rebordo-me por interiores afora em decorações montanha abaixo, e chego a um cume de aspiração vertiginosa, atentados à escala do sublime. Ergo alto o punhal impreciso e esfaqueio os revisitados e ultrapassados simbolismos vagamente pessoais e misteriosamente em português. Entro na loja e peço o produto abstracto, indefinido na medida de um vendedor de peito rasgado. Oh, pandemia dos sentidos, minimal compressa de genes intencionais quase mutantes.
Neste céu verde de tão folhas, choro insolente, gota de nuvem por arrancar.
Há dias em que, a fazer coisas que não nós, somos o discípulo que ouve o velho sábio a pensar sob a forma de um rasto de avião pouco cá. Depois, velho cruzamento de antevisões, cai dos céus a mentira feita pardal. Oh, previsão de extremismos ligeiramente egoísta, que és, afinal, em brevidade de exaltação. Oh, ser eu não este bucolismo fútil de paisagens existenciais.
Escorrego véus de realidade, inexisto a toda a força. Sou as peles de camurça que não visto. Mas que esteja na declamação o ganho, economias imateriais em ascensão, zénites. Escadas intermitentes a subir de luz rolante, iluminando-me através das cidades. Estilhaços de tsunami por um mar mucoso a pouca maré. Roupa que seca num estendal de partilha.
O meu único Deus é o livre arbítrio. E mesmo esse, só nos intervalos do Destino.